Meus heróis estão vivos.
Fazem filmes, escrevem livros, compõem música...
Estão lá fora, estão dentro da minha casa.
Eu não sinto falta daquilo que ainda não se foi. Até porque ainda não se foi e nem deu pra sentir falta...
Meus heróis são de carne e osso e me levam a lugares imaginários.
Escrevem, produzem, atuam, evoluem.
É complicado acompanhá-los ao mesmo tempo, muitas vezes. Mas, pra minha geração, isso é normal. Eu ligo aqui, ouço dali, acompanho acolá e tá tudo certo!
Eles - os heróis - me emocionam. Com palavras simples, sem rodeios, com melodias humildes e ousadas, com imagens previsíveis e tocantes ainda assim.
Eles me bastam, e como se eu temesse uma grande depressão, onde nada mais tenha graça, consumo tudo que posso, coração apertado, ansiedade nos dedos, nas pupilas, nos meus gestos.
Mas não só de fama são feitos os ídolos.
O maior problema é quando você sabe - e sabe muito bem - que todos eles, os distantes e os próximos, são de carne e osso. Têm defeitos. Cometem enormes burradas e encabeçam uma grande confusão na vida das pessoas... ou melhor, na sua vida.
Eu perdoo e espero que tudo se resolva até a perfeição ser alcançada novamente?
Difícil...
Acho mais fácil passar para trás e seguir em frente.
Dói mais. Me custa menos.
O preço é acessível, apesar do gosto amargo - tal qual um café barato.
Meus heróis, meus amigos, meu convívio diário, todos, todos, sem exceção, são de carne e osso.
E estas mesmas matérias são as que compõem a circunstância ao meu redor. Elas se repetem, rítmicas, num mesmo padrão, sempre. Cansam.
Mais uma vez me vejo impulsionada a tomar a atitude que me ensinaram há alguns anos atrás.
Vai pra lá, eu pago o preço.
Estou disposta, é baratinho?
Tô dentro.
Não me importa se me rasga por dentro, quero de qualquer jeito.
Mas eu aprendi assim, é o que sou.
Não, não dá pra mudar.
Eu pago.
E a expectativa de comportamento de uma moça de 22 anos se esvai. Eu não me agarro às lembranças e aos porta-retratos.
Nunca tive um pequeno mural com pequenas fotos ao meu redor.
Compartilhei de algumas futilidades como todo mundo. Foi a hype, pode pôr a culpa nela...
Mas nunca acreditei em muitas coisas que fiz - que fiz porque todos faziam.
Os meus heróis, os mais próximos, não podem me enxergar agora. Estou muito longe da compreensão. Não sou tão dramática, nem tão simplista. Nem tanto cabisbaixa, tampouco sigo aquela linha que eu nem consigo descrever de tão absurdamente fora do normal. Minha medida sou eu quem determino. Depende das circunstâncias...
E agora, elas não estão muito positivas.
Só uma fase. Passa.
Eu pago o preço. De novo, é claro, mas isso a gente não precisa mencionar.
Os meus heróis, os mais distantes, nunca me enxergaram e ainda não conseguem me ver. Nem quero que me vejam. Quero continuar com a imagem que eu mesma pintei, sem influências da verdade. Neste caso, a verdade pouco me interessa, quero continuar na ilusão cega que me conforta.
Aliás, queria que me enxergassem por esse mesmo espelho, assim não se "decepcionariam" com a minha imagem fraca, não é mesmo?
Aparento ser de aço e na verdade sou uma falsa joia? Será?
Bom, era o que eu queria, não é? O preço barato - algumas roupas, alguns motivos, algumas palavras - e a consequência de me verem como eu realmente sou: tudo aquilo que lutei, e ainda luto, contra com todas as minhas forças, por razões que ainda vou compreender melhor.
Mas não quero parecer uma pessoa repetitiva, rancorosa e imatura.
Tenho que aprender a absorver tudo. Do positivo ao mais negativo.
O problema é que eu não sou de aço, lembra? Sou uma joia falsa.
Assim como você, claro. Como todos vocês. Como todos nós.
Mais uma vez, isso é só um pequeno ponto da conversa.
Para resumir: eu quero mesmo é pagar o preço. É uma pechincha, não vai doer no bolso. Só o incômodo que é quase tão intragável quanto purgante. As palavras bonitas não conseguem descrever a sensação.
Palavras sofisticadas são floreios em merda que não conseguem mudar absolutamente nada.
Merda continua sendo merda.
E é bem baratinha.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
Mais uma pérola
Ele caminhava de cabeça baixa.
O frio incomodava um pouco, mas ele gostava daquele molhado, úmido, incômodo com o vento frio. Endireitou as abas da gola do casaco e continuou em direção a escola.
Um pingo de chuva que transbordou dos seus cabelos ruivos, curtos e gelados, bateu na ponta do seu nariz e, de lá, para o chão sujo de lama.
Ele tinha por volta de 1,50. Baixinho, olhava fixamente para o chão e o momento do inverno - da alma e da estação - nunca lhe fora tão aquecedor.
Com os pensamentos fixos no que lhe provocava ódio e sentimentos controversos, não havia espaço para dúvidas, justificativas amenas ou qualquer outra porcaria que sua podre consciência tentasse lhe empurrar.
Mesmo com os olhos semi-abertos, encarando o chão enquanto caminhava, era outro filme o que podia enxergar naquele momento.
Apesar do tom meio gris-azulado do dia de frio, sua visão era embaçada por vermelho.
Em primeiro lugar, odiava aquela garota. Prepotente, vidinha perfeita, corpinho perfeito, bons dentes. Veio, fez o que quis. Partiu. O que mais a fazer?
Não podia reivindicar seu amor, pois não a amava. Não podia chamar sua atenção, pois, talvez, nunca a tivera - apenas alguns relances de diálogos curtos. Não podia reclamá-la, porque nunca tinha feito questão de sua presença.
A ambiguidade era tanta que lhe entalava; e era ela que dava ódio.
Mas não só ela, veio junto a pequena crise em que se encontrava.
Olhou para o portão da escola quando reconheceu os cascalhos da entrada. Nada de novo ali. O mesmo portão choroso de pingos de chuva, como se ele mesmo pedisse para que seus alunos não entrassem lá.
Um ambiente que nunca lhe agradou por completo.
Ora era pelas lições; ora pelas companhias. Quando um não era o vilão, o outro tomava seu lugar.
Na verdade, a insatisfação era uma companheira e caminhava lado a lado com o pequeno por onde andasse.
Espirrou pela frieza da chuva e ouviu risadinhas contidas de um pequeno grupo ao seu lado. Devia estar todo molhado e ridiculamente solitário.
Deu de ombros internamente. Não fazia questão.
Caminhou para a sala de aula, deixando rastros de chuva, lama e uma cara séria por onde passou.
Por muito tempo, todos iam lembrar daquele rosto de espinhas, nariz longo, boca pequena, sobrancelhas e cabelos ruivos com aquela mesma cara de poucos amigos... como quem indicava que aquele era um grande dia.
Entrou na sala e discordou da professora.
Havia uma votação na escola sobre uma possível extensão do período de intervalo entre aulas. Os alunos escolheriam por mais cinco minutos de interrupção entre uma aula ou outra - que já eram de iguais cinco minutos.
Ele discordou. Dela e da turma inteira que votavam por mais cinco minutos.
Ele não sabia expressar o quanto achava desnecessário aqueles minutinhos a mais. Algumas palhaçadas que percorriam os cinco minutos já existentes lhe deixavam enojado. Aumentar aquele tempinho não era necessário e só alongaria ainda mais o tempo que passavam dentro da escola - aquela, dos portões chorosos e não-convidativos.
Mas parecia que, para todo mundo, aquilo era coerente. Ele entendia. Mas não queria.
Um borbulhar de crescente ódio aumentou ao vê-la votando a favor.
Algumas lembranças em relação à noite passada também não o ajudaram. Gritos pela casa e louças estilhaçadas eram apenas o mínimo, comparados ao inferno pessoal e interno que era obrigado a passar toda vez que aquilo acontecia - e agora com uma frequência assustadora.
Danem-se esses problemas dos outros quando os meus estão me matando, ouviram?? Me matando!!
Foi assim que decidiu.
Preferiu deixar que a incompetência da polícia levasse seus meses para descobrir como arranjou a sua grande arma.
Sem pejorativos, retirou um pequeno revólver - o que iria ser analisado pelo policial Fraga, Oliveira, Simões, o que-incompetente-fosse - e apontou para o pequeno rostinho da garota.
O susto, o pavor, os olhos brilhando de pânico. Tudo isso somado aos gritos da turma inteira, dos pedidos desesperados e trêmulos da professora. Tudo aquilo aumentava seus ressentimentos que agora eram grandes demais. A visão estava quase cega de rubor do sentimento de guerras.
Os gritos ficaram mais altos, mais apelativos.
Não via ninguém, não ouvia ninguém. O foco ainda era aquele rosto bonito, em pânico, que provavelmente via a vida passar diante de seus próprios olhos naquele momento.
Mudou de ideia. Seria egoísta e clichê demais se a sentenciasse.
Queria que vissem. Queria que enxergassem. Que todos estavam doentes e ninguém ia resolver absolutamente nada.
Ah, como tudo melhoraria se todos soubessem daquilo.
Não bastavam as desculpas da garota, a desistência dos que lutavam, a consciência de quem dividia o teto com ele. Nada iria mudar. O problema era aqui. Agora. Dentro de si. Ninguém ia resolver, nunca -
Resolveu. Apertou contra a própria têmpora, sentenciando-se num destino ainda mais clichê do que a morte da "pseudo-amada". Mas percebeu isso tarde demais enquanto seus pedaços respingavam na amada, no colega, na professorinha. Pedaços e pedaços de mais um Jeremy cansado dos próprios problemas e não dos problemas do mundo.
Ou talvez o mundo todo pesasse demais por sobre os seus ombros, de forma que não pôde mais aguentar...
O frio incomodava um pouco, mas ele gostava daquele molhado, úmido, incômodo com o vento frio. Endireitou as abas da gola do casaco e continuou em direção a escola.
Um pingo de chuva que transbordou dos seus cabelos ruivos, curtos e gelados, bateu na ponta do seu nariz e, de lá, para o chão sujo de lama.
Ele tinha por volta de 1,50. Baixinho, olhava fixamente para o chão e o momento do inverno - da alma e da estação - nunca lhe fora tão aquecedor.
Com os pensamentos fixos no que lhe provocava ódio e sentimentos controversos, não havia espaço para dúvidas, justificativas amenas ou qualquer outra porcaria que sua podre consciência tentasse lhe empurrar.
Mesmo com os olhos semi-abertos, encarando o chão enquanto caminhava, era outro filme o que podia enxergar naquele momento.
Apesar do tom meio gris-azulado do dia de frio, sua visão era embaçada por vermelho.
Em primeiro lugar, odiava aquela garota. Prepotente, vidinha perfeita, corpinho perfeito, bons dentes. Veio, fez o que quis. Partiu. O que mais a fazer?
Não podia reivindicar seu amor, pois não a amava. Não podia chamar sua atenção, pois, talvez, nunca a tivera - apenas alguns relances de diálogos curtos. Não podia reclamá-la, porque nunca tinha feito questão de sua presença.
A ambiguidade era tanta que lhe entalava; e era ela que dava ódio.
Mas não só ela, veio junto a pequena crise em que se encontrava.
Olhou para o portão da escola quando reconheceu os cascalhos da entrada. Nada de novo ali. O mesmo portão choroso de pingos de chuva, como se ele mesmo pedisse para que seus alunos não entrassem lá.
Um ambiente que nunca lhe agradou por completo.
Ora era pelas lições; ora pelas companhias. Quando um não era o vilão, o outro tomava seu lugar.
Na verdade, a insatisfação era uma companheira e caminhava lado a lado com o pequeno por onde andasse.
Espirrou pela frieza da chuva e ouviu risadinhas contidas de um pequeno grupo ao seu lado. Devia estar todo molhado e ridiculamente solitário.
Deu de ombros internamente. Não fazia questão.
Caminhou para a sala de aula, deixando rastros de chuva, lama e uma cara séria por onde passou.
Por muito tempo, todos iam lembrar daquele rosto de espinhas, nariz longo, boca pequena, sobrancelhas e cabelos ruivos com aquela mesma cara de poucos amigos... como quem indicava que aquele era um grande dia.
Entrou na sala e discordou da professora.
Havia uma votação na escola sobre uma possível extensão do período de intervalo entre aulas. Os alunos escolheriam por mais cinco minutos de interrupção entre uma aula ou outra - que já eram de iguais cinco minutos.
Ele discordou. Dela e da turma inteira que votavam por mais cinco minutos.
Ele não sabia expressar o quanto achava desnecessário aqueles minutinhos a mais. Algumas palhaçadas que percorriam os cinco minutos já existentes lhe deixavam enojado. Aumentar aquele tempinho não era necessário e só alongaria ainda mais o tempo que passavam dentro da escola - aquela, dos portões chorosos e não-convidativos.
Mas parecia que, para todo mundo, aquilo era coerente. Ele entendia. Mas não queria.
Um borbulhar de crescente ódio aumentou ao vê-la votando a favor.
Algumas lembranças em relação à noite passada também não o ajudaram. Gritos pela casa e louças estilhaçadas eram apenas o mínimo, comparados ao inferno pessoal e interno que era obrigado a passar toda vez que aquilo acontecia - e agora com uma frequência assustadora.
Danem-se esses problemas dos outros quando os meus estão me matando, ouviram?? Me matando!!
Foi assim que decidiu.
Preferiu deixar que a incompetência da polícia levasse seus meses para descobrir como arranjou a sua grande arma.
Sem pejorativos, retirou um pequeno revólver - o que iria ser analisado pelo policial Fraga, Oliveira, Simões, o que-incompetente-fosse - e apontou para o pequeno rostinho da garota.
O susto, o pavor, os olhos brilhando de pânico. Tudo isso somado aos gritos da turma inteira, dos pedidos desesperados e trêmulos da professora. Tudo aquilo aumentava seus ressentimentos que agora eram grandes demais. A visão estava quase cega de rubor do sentimento de guerras.
Os gritos ficaram mais altos, mais apelativos.
Não via ninguém, não ouvia ninguém. O foco ainda era aquele rosto bonito, em pânico, que provavelmente via a vida passar diante de seus próprios olhos naquele momento.
Mudou de ideia. Seria egoísta e clichê demais se a sentenciasse.
Queria que vissem. Queria que enxergassem. Que todos estavam doentes e ninguém ia resolver absolutamente nada.
Ah, como tudo melhoraria se todos soubessem daquilo.
Não bastavam as desculpas da garota, a desistência dos que lutavam, a consciência de quem dividia o teto com ele. Nada iria mudar. O problema era aqui. Agora. Dentro de si. Ninguém ia resolver, nunca -
Resolveu. Apertou contra a própria têmpora, sentenciando-se num destino ainda mais clichê do que a morte da "pseudo-amada". Mas percebeu isso tarde demais enquanto seus pedaços respingavam na amada, no colega, na professorinha. Pedaços e pedaços de mais um Jeremy cansado dos próprios problemas e não dos problemas do mundo.
Ou talvez o mundo todo pesasse demais por sobre os seus ombros, de forma que não pôde mais aguentar...
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Expresso quente
De vez em quando a "má sensação" some e daí eu chego a pensar que está tudo bem.
Talvez seja mais uma boa dose de drama, regada a um vocabulário pobre. Meu café é tão pequeno diante de diversos cafés gigantes, transbordando, quentes que pelam os lábios e a língua de quem tenta tomar daquela caneca (xícaras são pequenas demais).
Os problemas de todo o resto das pessoas que conheço são grandes demais para mim. Tão grandes que eles nem se incomodam em compartilhar. Talvez seja melhor mesmo... mal posso aguentar os meus pequenos "expressos" quanto mais os "lattes" dos outros.
Pois bem, que meu "expresso" não seja esquecido em momento nenhum, pelo menos por mim mesma, para que não reste dúvida que eu não posso me animar demais. Nunca.
Aliás, taí um conselho que eu utilizo de minha audácia para sugerir a qualquer um, por menos que eu saiba da vida do indivíduo:
Lower your expectations.
(Inclusive, nenhuma outra língua expressa tão sonoramente bem a acidez deste conselho)
Mas antes que eu me adentre no tópico das frustrações, deixe-me partir apenas para o lado seco da realidade.
É ruim, tem gosto amargo e o ciclo continua.
Vão existir momentos em que vai parecer que tudo está bem e que a vida é dignamente abençoada por algo ou alguém. E pode até ser. Mas o chão é perto, mesmo para quem está a um tropeço de uma queda vertiginosa para baixo.
Minhas palavras não conseguem corresponder o que se passa por dentro...
É como se a alma tentasse ser mais culta que o próprio dicionário. Não existem palavras para descrever as piores sensações.
E é quando ouvir música me acarreta uma puta dor de cabeça que eu vejo que está tudo errado.
Dói e causa um certo desespero. Mas dá pra aguentar. Nada como se sentir blue realmente "feeling the blues".
Argh, os clichês me angustiam!
Como eu queria escrever melhor e emocionar multidões com meus desabafos sem sentido.
Já tive que ouvir cada colocação quanto ao que escrevo e apenas um sentimento sobra disso tudo: a vontade de continuar.
Sou meio teimosa, insisto em estar presente mesmo quando acham minha presença irrelevante.
Não foi assim que fiz quando me tiraram de lá? Eu continuei aparecendo, até ser lembrada como aquela que foi, mesmo quando saiu...
E por aí eu vou tentar a sorte. Vou carregar nas minhas bagagens a solidão que sempre, eu repito, sempre, esteve presente comigo, mesmo quando cercada de colegas num parquinho em sépia ou ainda nas reuniões regadas a álcool e boas e más companhias da adolescência.
Vejo-me só quando alguém me abraça. Vejo-me só quando alguém diz que queria que eu ficasse. Vejo-me só quando alguém diz que eu sou muito importante. Vejo-me só quando alguém diz para eu não ir embora. Vejo-me só quando alguém diz que sou amiga. Vejo-me só quando alguém diz que eu sou uma ótima colega de trabalho. Vejo-me só quando alguém me chama de 'amor'. Vejo-me só quando alguém realmente se importa comigo.
Vejo-me só o tempo todo.
E talvez seja por isso que eu continue escrevendo, sem vergonha de me expôr, de colocar para fora qualquer que seja a pilha de expressos pequenos que eu tenho que colocar. Acho que, no fim, estou sempre num monólogo, falando comigo mesma, tentando me confortar num mundo/universo em que ninguém se importa com ninguém a não ser com o próprio coffee-shop.
Talvez seja mais uma boa dose de drama, regada a um vocabulário pobre. Meu café é tão pequeno diante de diversos cafés gigantes, transbordando, quentes que pelam os lábios e a língua de quem tenta tomar daquela caneca (xícaras são pequenas demais).
Os problemas de todo o resto das pessoas que conheço são grandes demais para mim. Tão grandes que eles nem se incomodam em compartilhar. Talvez seja melhor mesmo... mal posso aguentar os meus pequenos "expressos" quanto mais os "lattes" dos outros.
Pois bem, que meu "expresso" não seja esquecido em momento nenhum, pelo menos por mim mesma, para que não reste dúvida que eu não posso me animar demais. Nunca.
Aliás, taí um conselho que eu utilizo de minha audácia para sugerir a qualquer um, por menos que eu saiba da vida do indivíduo:
Lower your expectations.
(Inclusive, nenhuma outra língua expressa tão sonoramente bem a acidez deste conselho)
Mas antes que eu me adentre no tópico das frustrações, deixe-me partir apenas para o lado seco da realidade.
É ruim, tem gosto amargo e o ciclo continua.
Vão existir momentos em que vai parecer que tudo está bem e que a vida é dignamente abençoada por algo ou alguém. E pode até ser. Mas o chão é perto, mesmo para quem está a um tropeço de uma queda vertiginosa para baixo.
Minhas palavras não conseguem corresponder o que se passa por dentro...
É como se a alma tentasse ser mais culta que o próprio dicionário. Não existem palavras para descrever as piores sensações.
E é quando ouvir música me acarreta uma puta dor de cabeça que eu vejo que está tudo errado.
Dói e causa um certo desespero. Mas dá pra aguentar. Nada como se sentir blue realmente "feeling the blues".
Argh, os clichês me angustiam!
Como eu queria escrever melhor e emocionar multidões com meus desabafos sem sentido.
Já tive que ouvir cada colocação quanto ao que escrevo e apenas um sentimento sobra disso tudo: a vontade de continuar.
Sou meio teimosa, insisto em estar presente mesmo quando acham minha presença irrelevante.
Não foi assim que fiz quando me tiraram de lá? Eu continuei aparecendo, até ser lembrada como aquela que foi, mesmo quando saiu...
E por aí eu vou tentar a sorte. Vou carregar nas minhas bagagens a solidão que sempre, eu repito, sempre, esteve presente comigo, mesmo quando cercada de colegas num parquinho em sépia ou ainda nas reuniões regadas a álcool e boas e más companhias da adolescência.
Vejo-me só quando alguém me abraça. Vejo-me só quando alguém diz que queria que eu ficasse. Vejo-me só quando alguém diz que eu sou muito importante. Vejo-me só quando alguém diz para eu não ir embora. Vejo-me só quando alguém diz que sou amiga. Vejo-me só quando alguém diz que eu sou uma ótima colega de trabalho. Vejo-me só quando alguém me chama de 'amor'. Vejo-me só quando alguém realmente se importa comigo.
Vejo-me só o tempo todo.
E talvez seja por isso que eu continue escrevendo, sem vergonha de me expôr, de colocar para fora qualquer que seja a pilha de expressos pequenos que eu tenho que colocar. Acho que, no fim, estou sempre num monólogo, falando comigo mesma, tentando me confortar num mundo/universo em que ninguém se importa com ninguém a não ser com o próprio coffee-shop.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Save Rock and Roll
Eu nunca fiz isso até porque nunca quis me meter a entendedora antes de ser uma. Mas essa não pude deixar escapar...
"Put on your war paint!"
(The Phoenix)
Não vi forma melhor de começar. Ao longo dos meus 22 anos tive o prazer, raríssimas vezes, de ouvir músicas que mais do que me fazer tamborilar os dedos, me fizessem sentir um orgasmo musical, estremecer em um ribombar de caixas, lacrimejar ao estourar de pratos na hora certa e me arrepiar os cabelos da nuca no agudo mais gritante de uma guitarra ou nos "vais-e-vem" rítmicos e pesados de um bom baixo.
"Save Rock and Roll" (2013) é pretensioso. No nome e a proposta pesadíssima que vem junto. Na época em que o estilo épico e controverso se desdobra em bandas que valorizam demais a estética da letra e se esquecem dos riffs que podiam estar lado à lado com ela ou ainda, quando o "param-pampam" das guitarras esquiva-se de uma boa melodia e de letras minimamente desafiadoras para a sociedade ou para o próprio ouvinte - para que ele possa se desafiar, se perguntar - e são substituídos por romancezinhos piegas ou reinvidicações sem sentido, eu junto toda esta premissa prolixa pra ser pretensiosa que nem os caras do Fall Out Boy nesse último disco.
Como que prevendo as bombas indignadas dos mais xiitas roqueiros, Patrick Stump começa o álbum recém-lançado com uma convocação para a guerra: "put on your war paint!" é o primeiro trecho da música "The Phoenix", faixa 1 do disco. A voz abafada do líder acompanhada de tambores e um instrumental quase que clássico - a la revolta revolucionária - antecipa mais e mais versos fortes e, sim, ouso dizer que antológicos.
"You know time crawls on when you're waiting for the song to start, so dance along to the beat of your heart"
(The Phoenix)
Traduzindo sentimentos de uma forma extra-sensível, os meninos do FOB nunca foram tão refinados e afinados... com o rock and roll, sim! A sequência de frases memoráveis ao longo da - apenas - primeira faixa do álbum é algo que comove. Mas não, não pensem que esqueci da melodia e dos riffs bem dosados e muito bem articulados. O som é pesado... e dançante.
A proposta do rock ao longo do tempo foi o de causar também, dentre o turbilhão de emoções porquê não, a vontade de pôr pra fora o que o corpo não consegue segurar. Seja no mosh ou nos pézinhos twist and shout.
Esta característica sempre foi familiar do Fall Out' e, inclusive, ouso - mais uma vez - dizer que os caras inovaram justamente nisso, quando começaram sua sequência invejável de sucessos a partir de 2003. "Dance, dance", do álbum From Under the Cork Tree não me deixa mentir. Foi hit nos EUA e no mundo inteiro, trazendo aquele rock enérgico e animado, próprio para as pistas de dança dos anos 60 e que andava escondido nas prateleiras, empoeirado, finalmente dando-o uma nova roupagem, mais limpo, mais moderninho, sem exageros ou floreios. (Aliás, demos a César o que é de César: o que FOB fazia dos EUA, os caros do Arctic Monkeys faziam lá da Inglaterra também).
As letras surpreendentemente sensíveis e os títulos curiosos do FOB também não são novidade. Aquela cartinha feita pelo gordinho da sala para a menina mais bonita da escola ou então a vingança do mesmo rechonchudo para o valentão da classe são apenas um terço do cenário que as letras, na maioria do baixista Pete Wentz, podem ilustrar. A voz de Stump, quase que desesperada (com aquele pézinho no hardcore) e que vai e volta num low-and-high gostoso (herança do pai de Patrick, cantor profissional de folk) torna tudo um espetáculo irresistível de ouvir.
"Let's be alone together, we could stay young forever, sing it from the top of your lungs"
(Alone Together)
Eu quis colocar diversos trechos de músicas do Save Rock and Roll durante meu comentário deste álbum porque esta é uma características do disco: se auto-descrever.
Tá bom, mas nem tudo é um mar de rosas. Quando os caras do FOB resolvem inovar e fazer hits como "My Songs Know What You Did in the Dark (Light 'Em Up)", principalmente dentro dum álbum com o título deste último, eles cutucam a grande onça do rock com vara curta. Os mais 'old school', mais acostumados com o rock puramente contestatório, insensível, cervejeiro e mulherengo, e até mesmo os adeptos mais antigos dos sons do FOB, podem entortar o nariz, a cabeça, os membros e o corpo inteiro ao ouvir batidas de hip-hop com um sample típico de rap e com paradinhas também costumeiras do ritmo bambataa. Isto tudo mesclado com refrões descendentes de uma boa cultura pop: chicletes mesmo! Não é a toa que, num ato de desespero, encaixaram Fall Out Boy numa nova categoria: pop punk.
Han?! Eu entendo, é de enlouquecer...
Mas isso já não é novidade. Eles já estão acostumados com isso. Não é a primeira vez que a banda causa este rebuliço no mundo da música ("This ain't a Scene, It's a Goddamn Arms Race" tá aí pra provar) e olhe que os famosos haters nem ouviram "The Mighty Fall" do Save Rock and Roll (espero que ouçam).
Sem mais delongas, Save Rock and Roll parece pretensioso num primeiro momento, mas quando continua conservando aquilo que eu, na minha humilde opinião, acho que o rock tem de melhor (o desabafo nem sempre bem elaborado com o instrumental característico da vertente), ele acerta em cheio e salva mesmo.
Eu acho que eu nem preciso citar as participações de Courtney Love (Hole) e Elton John. Vou pecar ainda mais (não sei) ao afirmar que o disco sem eles continuaria a mesma coisa: fantástico. A única exceção, talvez, é a presença da cantora Foxes, novíssima no pedaço por sinal, que faz um trabalho lindo na faixa "Just one Yesterday". A repercussão da participação da menina foi tão grande que em seu próprio vídeo no Youtube, em um single chamado "Home", vários comentários dizem a mesma coisa: thumbs up se você veio aqui porque ela arrasou no álbum do Fall Out Boy!
"You are what you love, not who loves you. In a world full of the word yes, I'm here to scream: Oh, no! Whenever I go, trouble seems to follow, only plugged in to save rock and roll"
(Save Rock and Roll feat. Elton John)
Fora isso, as letras e o baixo de Wentz, a batera do Andy Hurley, os riffs legais e "hardcorianos" de Joe e a voz deliciosa, folk e, porque não, desesperada de Patrick fazem do Save Rock and Roll um álbum energético, poderoso, com todos os direitos que a audácia do título lhe proporcionam.
OBS: Ah! Vale citar também a capa do álbum. Eles selecionaram o trabalho de um fotógrafo chamado Roger Stonehouse de um pequeno monge com um garoto punk que, segundo explicação da própria banda em sua página oficial do Facebook, simboliza a ideia do novo com o antigo, do clássico com o inovador. Mais uma jogada brilhante, pretensiosa e desafiadora. Mas, no meio da salvação do rock'n'roll, só complementa o cenário ousado dos caras de Chicago.
Ah, se todo mundo quisesse salvar o rock...
![]() |
| Foto: Roger Stonehouse / Fall Out Boy UNIVERSAL |
Melhores citações:
"We will teach you how to make boys next door out of assholes"
"If heaven's grief brings hell's rain then I'd trade all my tomorrows for just one yesterday (I think I'm bad news, I saved it all for you), I want to teach you a lesson in the worst kind of way..."
"I don't have the right name or the right looks but I have twice the heart"
"My songs know what you did in the dark... so light 'em up! I'm on fire!"
"Hey, youngblood! Doesn't if feel like our time is running out? I'm gonna change you like a remix then I'll raise you like a phoenix. Wearing our vintage misery, no, I think it looked a little better on me..."
"I wanna see your animal side, let it all out!"
Melhores faixas (até agora):
01. The Pheonix
04. Where Did the party Go?
05. Just One Yesterday
08. Death Valley
11. Save Rock and Roll
segunda-feira, 29 de abril de 2013
"Da ditadura à poesia" vai em frente
Um dos grandes desafios na escolha do trabalho de conclusão de curso ao finalizar o ciclo acadêmico - no meu caso exaustivo e complicado - foi o de realizar algum tipo de projeto onde eu pudesse finalmente ser eu mesma, ainda que com os entraves e obstáculos algumas vezes impostos pelo mundo das regrinhas acadêmicas.
Mas eu insisti, cutuquei, repeti e repeti como num disco riscado (apud RITA, Maria!) a ideia de fazer algo onde eu pudesse me expressar e provar para mim mesma e, porquê não, para quem quisesse, que eu poderia fazer algo prático, sobre algo fora do meu alcance de compreensão e que, com o desafio jornalístico, eu me sentisse tão a vontade, como se tivesse nascido naquele meio e vivenciado aquelas mesmas circunstâncias.
A história de Sérgio Luiz, um universitário que foi poeta marginal na época do regime militar, caiu-me no colo como se Deus (ou destino ou enfim) dissesse "vai, toma o desafio que você queria!". Pensei, considerei, abracei e por diversos momentos pensei que talvez fosse mais do que eu poderia narrar.
Mas hoje, já com minha nota no bolso, vi que tantos altos e baixos valeram à pena. Fiz um livro-reportagem e "Da ditadura à poesia: o sergipano Sérgio Luiz e a poesia marginal na luta contra a repressão" tirou 10. E muito merecido. Mas não por mim... quero ser encarada apenas como o instrumento que tentou levar a história de Sérgio - e de todos os outros jovens sergipanos que lutaram através de versos, atos, melodias - com pelo menos um pouco da intensidade que me foi proporcionada pela poesia marginal sergipana dos tempos da ditadura.
E, como eu faço questão de lembrar, perdoem meus maiores pecados literários. Se minha narrativa não for interessante, espero que ao menos admire os dotes poéticos de Sérgio Luiz e de seus companheiros.
Boa leitura!
Download em PDF abaixo:
http://www.4shared.com/office/uvpM3bNO/Da_ditadura__poesia_-_Maluh_Ba.html
*Este trabalho foi realizado para o trabalho de conclusão de curso do semestre 2012.2. Sujeito à atualizações.
Mas eu insisti, cutuquei, repeti e repeti como num disco riscado (apud RITA, Maria!) a ideia de fazer algo onde eu pudesse me expressar e provar para mim mesma e, porquê não, para quem quisesse, que eu poderia fazer algo prático, sobre algo fora do meu alcance de compreensão e que, com o desafio jornalístico, eu me sentisse tão a vontade, como se tivesse nascido naquele meio e vivenciado aquelas mesmas circunstâncias.
A história de Sérgio Luiz, um universitário que foi poeta marginal na época do regime militar, caiu-me no colo como se Deus (ou destino ou enfim) dissesse "vai, toma o desafio que você queria!". Pensei, considerei, abracei e por diversos momentos pensei que talvez fosse mais do que eu poderia narrar.
Mas hoje, já com minha nota no bolso, vi que tantos altos e baixos valeram à pena. Fiz um livro-reportagem e "Da ditadura à poesia: o sergipano Sérgio Luiz e a poesia marginal na luta contra a repressão" tirou 10. E muito merecido. Mas não por mim... quero ser encarada apenas como o instrumento que tentou levar a história de Sérgio - e de todos os outros jovens sergipanos que lutaram através de versos, atos, melodias - com pelo menos um pouco da intensidade que me foi proporcionada pela poesia marginal sergipana dos tempos da ditadura.
E, como eu faço questão de lembrar, perdoem meus maiores pecados literários. Se minha narrativa não for interessante, espero que ao menos admire os dotes poéticos de Sérgio Luiz e de seus companheiros.
Boa leitura!
Download em PDF abaixo:
http://www.4shared.com/office/uvpM3bNO/Da_ditadura__poesia_-_Maluh_Ba.html
*Este trabalho foi realizado para o trabalho de conclusão de curso do semestre 2012.2. Sujeito à atualizações.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Um conto, mais uma vez
She sat right around the corner.
The light was dim, so he didn't quite see her for a while.
She just expected him to see her face, her body shape, and finally recognize her in the middle of the dark. She was sure he would recognize her in any situation.
She was tapping her toes to the rhythm of the song in her head. It was joyful noise, something kinda funny to be playing in such misery. But the joyful noise had drums, and bass, and distorted guitars. Had strong lyrics. Full of hate, full of sorrow, full of regret.
She watched him. From far away, but she did.
He never saw her. But, in her dreams, he opened his eyes and he could see her clearly. And his face - in her dreams - became from sadness to happiness just in one single glimpse. His whole life changed by just seeing her.
And in her dreams she made him suffer.
Just a piece of what's she's been through.
Die, mortherfucker, and die again!
Die from the inside because that's the most painful death!
She watched him die. Very slowly. The bright in his eyes starting to fade away. His smile, so recent from the glimpse of her, just going down, fading. His life turned upside down, his mother crying in his grave - although that last image hurt just a little bit inside her head - and his friends... oh, his friends. They were shown of what the great guy could do and they just didn't want to see him anymore. Shut, closed, dead.
You are dead, motherfucker.
But still.. in the room full of darkness and resentment, she could see just a tiny line of light coming from the other side. She would run to in, as fast as she could, and she would lock him inside the dark room, two twists at the key in the door jamb, just to make sure he could never come out.
And the reason she didn't want him to come out was that she really didn't want him to come to the other room where she found herself: empty, blank, with blind-white walls and no furniture. Just emptiness.
Until other young man came and filled the blind-white with suffocating-darkness again.
That was just life.
And she wanted to live it, while she could...
So she grabbed the imaginary gun and run to the door, just seconds before he saw the movement. And when she got there, she shot him right in the face.
Once, twice, three times, countless times...
And watched him die. Just like her dreams. Just like she imagined. It was good. The sense of power. The sense of freedom. And so, she locked the door and went into the other room...
Where his phantom slide through the gap on the bottom of the door and sit in one small chair that suddenly appeared in the middle of the white room - which just went a little bit darker.
It was in that point that she realized that no matter where circumstances life put ahead of her, she would always have to face the past and the misery that came with it. Because that was part of who she was and what she had made of herself.
She sighed, shrugged, and sat one more time right in the corner of the room, waiting for desperation to come again...
The light was dim, so he didn't quite see her for a while.
She just expected him to see her face, her body shape, and finally recognize her in the middle of the dark. She was sure he would recognize her in any situation.
She was tapping her toes to the rhythm of the song in her head. It was joyful noise, something kinda funny to be playing in such misery. But the joyful noise had drums, and bass, and distorted guitars. Had strong lyrics. Full of hate, full of sorrow, full of regret.
She watched him. From far away, but she did.
He never saw her. But, in her dreams, he opened his eyes and he could see her clearly. And his face - in her dreams - became from sadness to happiness just in one single glimpse. His whole life changed by just seeing her.
And in her dreams she made him suffer.
Just a piece of what's she's been through.
Die, mortherfucker, and die again!
Die from the inside because that's the most painful death!
She watched him die. Very slowly. The bright in his eyes starting to fade away. His smile, so recent from the glimpse of her, just going down, fading. His life turned upside down, his mother crying in his grave - although that last image hurt just a little bit inside her head - and his friends... oh, his friends. They were shown of what the great guy could do and they just didn't want to see him anymore. Shut, closed, dead.
You are dead, motherfucker.
But still.. in the room full of darkness and resentment, she could see just a tiny line of light coming from the other side. She would run to in, as fast as she could, and she would lock him inside the dark room, two twists at the key in the door jamb, just to make sure he could never come out.
And the reason she didn't want him to come out was that she really didn't want him to come to the other room where she found herself: empty, blank, with blind-white walls and no furniture. Just emptiness.
Until other young man came and filled the blind-white with suffocating-darkness again.
That was just life.
And she wanted to live it, while she could...
So she grabbed the imaginary gun and run to the door, just seconds before he saw the movement. And when she got there, she shot him right in the face.
Once, twice, three times, countless times...
And watched him die. Just like her dreams. Just like she imagined. It was good. The sense of power. The sense of freedom. And so, she locked the door and went into the other room...
Where his phantom slide through the gap on the bottom of the door and sit in one small chair that suddenly appeared in the middle of the white room - which just went a little bit darker.
It was in that point that she realized that no matter where circumstances life put ahead of her, she would always have to face the past and the misery that came with it. Because that was part of who she was and what she had made of herself.
She sighed, shrugged, and sat one more time right in the corner of the room, waiting for desperation to come again...
quinta-feira, 28 de março de 2013
Na estrada
nem sempre as coisas funcionam como deveriam funcionar. nem tudo sai como é planejado.
eu esperei, esperei e ainda espero mesmo que os resultados estejam aí , na minha cara, e eu não veja - ou resista em ver, isso pouco importa. eu queria era escrever sem vírgulas e construir um texto relevante para mim e para quem quisesse ler.
um texto com ritmo e com uma força kerouac que, em jazz, zah, zum, flui, sem precisar explicar porquê por mais que tenha explicação.
mas chega. chega de falar de textos e frustrações narrativas.
quero mais é falar do amargo sabor de quem espera pacientemente o momento da chegada. o momento em que eu vou deixar de ser eu, e você deixa de ser você. você vira aquele que assiste e eu viro aquilo que distrai. onde meu mundo se conserta e o seu chacoalha. onde o meu é uma noite paulistana, o seu é uma decepção aracajuana.
queria que todos aqueles - aqueles em específico - sentissem na pontinha da língua o amargor do enfadonho. o sabor de mofo das mesmas coisas miúdas que satisfazem temporariamente e depois se esvaem.
está sendo muito difícil escrever agora por isso vou dando por encerrada minha pequena reflexão de hoje.
só peço que você, sim, você que lê - ou finge que lê - tentasse atribuir o que digo em algo que se encaixe na sua realidade e aí assim quem sabe eu fico mais feliz achando que realmente fiz alguma coisa. é díficil mas não é impossível, talvez.
eu esperei, esperei e ainda espero mesmo que os resultados estejam aí , na minha cara, e eu não veja - ou resista em ver, isso pouco importa. eu queria era escrever sem vírgulas e construir um texto relevante para mim e para quem quisesse ler.
um texto com ritmo e com uma força kerouac que, em jazz, zah, zum, flui, sem precisar explicar porquê por mais que tenha explicação.
mas chega. chega de falar de textos e frustrações narrativas.
quero mais é falar do amargo sabor de quem espera pacientemente o momento da chegada. o momento em que eu vou deixar de ser eu, e você deixa de ser você. você vira aquele que assiste e eu viro aquilo que distrai. onde meu mundo se conserta e o seu chacoalha. onde o meu é uma noite paulistana, o seu é uma decepção aracajuana.
queria que todos aqueles - aqueles em específico - sentissem na pontinha da língua o amargor do enfadonho. o sabor de mofo das mesmas coisas miúdas que satisfazem temporariamente e depois se esvaem.
está sendo muito difícil escrever agora por isso vou dando por encerrada minha pequena reflexão de hoje.
só peço que você, sim, você que lê - ou finge que lê - tentasse atribuir o que digo em algo que se encaixe na sua realidade e aí assim quem sabe eu fico mais feliz achando que realmente fiz alguma coisa. é díficil mas não é impossível, talvez.
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