segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

I do regret

Eu me arrependo do que faço quase que diariamente.

Será que o segredo para ser inteiramente feliz é quando isso não mais acontecer?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Is this the end?

Viver dói. E cada vez mais.

Eu sinto os olhares reprovadores, inquisidores, questionadores, duvidosos. Sempre, sempre.

Sempre que eu digo algo em que eu espero a resposta positiva, todos os se voltam contra mim, concordando oralmente, incrédulos através do olhar.

Ninguém concorda comigo; sempre.

Não vejo mais esperanças para nada nem ninguém. Enxergo pessoas que lutam diariamente contra esteriótipos, contra doenças, contra a negatividade, contra a realidade.

O problema é que não dá mais.

A energia tem que surgir de algum lugar, milagrosamente, de repente, como um vulcão em erupção de forma repentina e de supetão.

Uma energia que nos preencha e abra nossos olhos para o absurdo que é viver hoje em dia.

Malditos ambientes cibernéticos onde as mensagens que eram para ser positivas são uma pressão psicológica constante: melhore! melhore! melhore! Seja melhor! Seja O melhor! Queira! Agarre! Lute! Emagreça! Viva!

Chega!!!

Não quero fazer mais nada. A inércia implora para tomar conta de mim.

Quando que o natural virou obrigatório?
Quando os conselhos viraram questão de status?

Sinto falta, imensamente, dos antigos livros de auto-ajuda. Pelo menos não havia repercussão. Não havia comentários muito menos discussões sobre o conteúdo. A única a dar opinião era minha própria consciência. Se aquilo era bom ou não, positivo ou não, aproveitável ou não, cabia a MIM e somente a MIM decidir sobre isso.

Tenho que conviver com o vírus das manifestações alheias sobre tudo que acontece no mundo.
Até que ponto tudo isso é positivo?

Mas que droga!

Não vejo mais vantagens em observar a opinião do outro sobre qualquer que seja o tópico. Só me confunde ainda mais nas questões mais simples. Meus pensamentos ficam confusos e são impregnados de 'disse-me-disse' absurdos.

Parece que chegamos no estopim da liberdade de expressão.

Meu direito não começa nem termina mais.
Todo mundo mete o bedelho.

E eu, que também estou no meio?
Argh, que nojo.

O resultado de tudo isso está aqui: insatisfeita, insegura, duvidosa, inquieta, angustiada.
Assim como eu sei que muitos também estão, cada vez mais.

Não agradeço mais pelo que vem acontecendo. Uma pilha de excremento transborda pelo buraco que foi aberto recentemente nos ambientes - virtuais ou não.

Não dá para ter mais esperança.
Sinceramente: você tem?

A dor que vem na garganta ao prender torrentes de choro intermináveis aperta todo dia a cada olhar me lançam. Dos mais próximos. Dos mais chegados.

Talvez eu seja obrigada a morar neste ambiente em que minha rotina é um teste. É um teste o tempo inteiro. Não importa se eu tenho um dia corrido e produtivo ou quieto e modorrento. No final dele, foi um teste.

Ninguém se importa verdadeiramente com ninguém, mesmo nos menores lugares do mundo.

Eu não sei nem a quem maldizer para terminar este monólogo. Só sei que espero que seja o suficiente para calar o grito que eu não vou dar hoje.

domingo, 18 de novembro de 2012

O Segredo

Chega uma hora que cansa.

Que tudo que almeja já não faz mais sentido e nem tem mais graça.

Quem já esteve lá, deve saber como é...

Os sonhos não são mais os mesmos e não proporcionam a mesma felicidade interior que vem daquela esperança de que um dia tudo pode se tornar realidade.

Sonhos desaparecem e você fica.

Mas é justamente quando você para para sonhar é que percebe o quão vazio era cada desejo. Cada sonho.
Nada preenche.

São apenas vontades. Vontades de ser alguma coisa; de ter algo; de possuir alguém ou algum objetivo.

São pedaços d'O Segredo' empilhados no fundo do subconsciente, esperando para serem libertados e colocados em prática.

É cansativo.
Acho que no final, tudo se resume a um grande e exaustivo exercício diário que nos deixa enfadados a cada noite mal dormida - o que ocorre com uma frequência enorme se suas expectativas são muitas.

Acordar e ir fazendo cada atividade rotineira na esperança de que elas valham alguma coisa no fim da estrada.
Fazer o que nem sempre dá vontade de fazer - e, às vezes, é a ojeriza de fazer -, simplesmente porque estatísticas provam que aquilo vai dar resultado.

E quando não dá?

E quando depois de tanto nadar, a terra firme não aparece e você fica boiando à deriva?

Já parou para pensar nisso?
Já parou para pensar que tanto esforço que você pode estar fazendo agora pode não dar em absolutamente nada?

Os vencedores talvez desconheçam essa indagação. Os humanos sabem bem do que estou falando.

Ou pior: e quando você consegue e, no fim, alcançado o objetivo, de repente aquilo não é mais o suficiente; ou percebe-se que era algo tão vazio que nem valia as horas de esforço e dedicação?

Eu tenho medo de tudo isso.
Não sei quem me pôs esse receio, nem muito menos quero saber.
Talvez tenha feito um favor para mim.

Minha vida é um amontoado de vontades pelas quais eu "luto" todo dia para que se realizem. Um punhado de objetivos que eu almejo e alimento sem saber exatamente se estou fazendo por onde. Acredito, no fim das contas, em sorte e em Deus, já que prefiro o invisível do que palpáveis números numa tabela.

Viver de esperanças cansa. Até quando eu vou aguentar?

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Gêmeos

Ele a observava de cima.

O jeito que ela se movia, as ações, tudo muito sutil, tudo muito despretensioso.

Ficar imaginando o que ela sentiria se soubesse era um dos seus passatempos favoritos.

O que diria se ela descobrisse? O que pensaria? Será que iria ficar furiosa e jogar objetos cortantes em sua direção? Ou será que iria dar boas risadas e debochar de seus sentimentos? Ou nenhuma das opções anteriores?

Fosse o que fosse, ele não queria saber.

Fechou o caderno, olhou ao redor e se espreguiçou.

Coçou as costas, balançou os cabelos e recolheu seu material, colocando tudo de volta em sua mochila. Seus movimentos, assim como os daquela que observava, também eram lentos, preguiçosos, como quem não tinha pressa por um amanhã, por um novo dia, por uma nova expectativa ou possibilidade.

'Está bom assim', pensou. 'Está bom assim'.

Foi para casa. Tomou um banho, ensaboando-se enquanto pensava nela.

Claro, ela era o foco dos seus pensamentos atualmente. Raramente ele conseguia prestar atenção em qualquer detalhe da rotina sem se pegar vagando pelas diversas imagens que guardava na cabeça: "ela acordando", "ela sorrindo", "ela comendo", "ela-fazendo-qualquer-coisa-que-faça-no-seu-dia-a-dia".

Colocou a toalha ao redor da cintura enquanto seus devaneios continuavam.

- Café. - disse para si mesmo enquanto olhava para o pequeno apartamento.

Alguns metros quadrados. Muita bagunça. Desorganização era a palavra de ordem, por mais horrorosa que aquela expressão soasse. Ele soltou uma risadinha com aquele último e colocou uma velha samba-canção que não lhe atraía e muito menos atrairia alguém.

Sua existência havia ficado limitada. Poucos amigos, poucas expectativas - consequentemente poucas frustrações -, poucas roupas, poucas alegrias, poucas vontades.

Uma única, aliás.

Tê-la.

Ela virou aquele personagem, o único que pode salvar uma donzela de uma enrascada.

Sim, virei donzela, pensou enquanto colocava o café velho que preparara mais cedo. Melhor que nada. Poucas expectativas, certo?

Olhou para baixo. Seus pés mal tocavam o chão tremenda a forma como seus livros deitavam acomodados pelo piso da sala. Pisar em folhas e ouvir o farfalhar de suas reclamações já lhe era costumeiro. Como se dissessem: "Ei! Estamos aqui! Porque você não experimenta nos tirar do chão e nos dar uma olhada séria pela primeira vez na vida?"

- Não. - respondeu, porque havia imaginado àquela mesma indagação.



Ele me observa de cima ou sou eu?

Eu não me movo despretensiosamente como ele pensa. E também, ao contrário do que ele imagina, eu sou a donzela.

Não tenho muitas expectativas para meus 21 anos de idade.
Aliás, tenho muitas e é justamente por isso que acho que não tenho nenhuma.

No fim das contas, não terminar como meus pais - no seus piores defeitos humanos - é meu grande objetivo.
Para chegar lá, a estrada é árdua, até porque a cada dia que passa, me vejo com um reflexo um pouco desconfortável de que estou cada vez mais parecida com meus progenitores.

Apenas uma criança, tentando ser alguém.
E mais uma vez, eu caio no clichê. Tenho certeza absoluta, inclusive, que tem uma ou duas músicas sobre isso.

De qualquer forma, nada mais me interessa. Eu vou dando cada passo na esperança de que alguém chacoalhe o mundo de alguma forma. Nem que seja para o fim dele. E o meu.

Eu o observo de longe, sem saber ao certo quem é. Ele também. Eu até que acredito em almas gêmeas.

sábado, 29 de setembro de 2012

Mais um daqueles

Este é mais um daqueles.

Mais um daqueles textos em que eu não tenho nada pra escrever ao mesmo tempo que várias coisas me congestionam a cabeça, me deixando zonza e sem noção por onde ir, por onde começar.

Eu gosto de dar pontos.

Eu gosto de pontuar meus textos. Eu acho que um bom ponto final, especialmente o ponto final, é a 'cereja do bolo'. Dá fim a uma ideia. Encerra um pensamento. Vai, pensa. E agora, que acabou a oração, o que você acha?

Eu fiz algum efeito com ela ou ela apenas soou vazia e sem significado nenhum pra você?

Geralmente, é o que quero que sintam quando lêem minhas frases curtas, enxutas - tá, algumas vezes prolixas, mas que, de uma hora para a outra, lá vem e ponto. Acabou-se. O que achou?

Quis citar o ponto porque há algum tempo esta é uma questão que eu observo em meus monólogos no 'eunãoseifazercrônica' e, também, nos monólogos dos blogs e textos alheios.

Um texto com muitos pontos finais - na medida certa - esculacha qualquer textinho ou textão cheio de vírgulas, ponto e vírgulas, traços e travessões.

O ponto começa. O ponto termina. Ele é o cara.

Mas enfim, mais uma vez não é exatamente sobre isso que eu queria falar.

A segunda parte do texto - cheio de pontos - é aquela em que devaneio sobre meu cotidiano.

Eis que, no meu humor que me é muito comum (sentindo-me estranha, confusa, esteticamente um bagaço, sozinha e blá-clichê-blá), me vi mais uma vez impulsionada a escrever para tentar sair dessas milhões de voltas que insistem em me deixar no mesmo lugar sempre.

Eu estou mais ou menos, depois bem, depois mal, depois mais ou menos...

Cada vez mais chego a conclusão de que a existência humana é só uma variação pequena de sentimentos e sensações que, com o passar do tempo, deixam de ser novidade.




Eu acabei de deletar um ou dois parágrafos que escrevi.
É este o meu sábado.

E agora, mais do que nunca, não estou disposta a escrever qualquer coisa na qual alguém vá se identificar; vá elogiar; vá comentar, nem muito menos divulgar. Até porque se eu ficasse feliz só porque divulgam este blog, eu já estaria muito triste (se é que isso faz sentido pra quem lê).

Eu só queria, nesta noite chuvosa de sábado, onde alguns se divertem e outros estão deitados, debaixo de um edredom roxo e com o gato no colo, sentir que eu não estou só. Sentir que eu posso escrever sobre qualquer coisa, porque essa liberdade me foi dada.

Eu posso e vou continuar escrevendo neste blog sobre o que me der na telha e eu quero e vou escrever sempre que me der vontade sobre o assunto que quiser.

Más intepretações e deboche sempre vão existir. E, não, eu não gosto deles. Mas, fazer o quê? É o pequeno preço que pago por desabafar com ninguém para quem quiser ler.

E eu tenho meu gato como testemunha de que estou bem confortável onde estou agora.

Ai, como é bom ficar sozinha.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Meu sorriso é feio

Não sei se é formato ou a forma como que não parece verdadeiro.

O fato de ser desigual, problemático, ausente e constantemente doente deve ajudar a minha hesitação quando me perguntam: "porquê você não gosta dele?".

Eu admiro o dos outros; acho lindo. Lábios que se abrem harmoniosos numa dança lenta e afrodisíaca; as rachaduras se esticando e deixando a mostra todos os elementos, emparelhados, sinceros, dando o ar da graça do(a) dono(a); dado; grátis.

Um gesto singelo e que vale muito.

Vale muito porque - esta é a parte em que eu quero e fico sorumbática - é raro. O verdadeiro. É raro.

Os falsos aparecem com muita frequência. TV, revista, meio de comunicação de massa. Todos são feiras livres de sorrisos.

"Olha pra mim! Sou feliz! Vê como eu me abro, fico a mostra, deixo até o fundo da garganta vermelha aparecer?"

Na labuta diária ele também aparece com espantosa regularidade.

"Olá! Bom dia! Sou muito feliz e estou aqui para conversar diálogos de corredor e compartilhar café com qualquer um! Aberto; simples; limpo; escovado".

Eu não tenho facilidade.

Nunca tive.

Talvez seja por isso que eu o ache tão feio. Tão estranho. Tão inconveniente.

Não tenho vergonha de divulgar isso.

Nunca tive.

Quem me conhece sabe que prefiro bicos, poses, peito, perna, olhos e o escambáu para evitar abri-lo, assim, sem mais nem menos.

Também nem quero.

Acho que sorriso demais é alegria demais e alegria demais é típico de quem não sofre, quem não se rala no asfalto da vida e tem que sentir o ardor na pele, dia após dia, mesmo depois de curativos e remendos. Eu sempre preferi este tipo de gente.

Um trecho - menos que uma frase - de uma música sintetiza:

"O riso bonito de quem chorou tanto".

Ah! Esse sim... Esse sim. Molhado de lágrimas, salgado/doce, cheio de emoção, cheio de verdade.

Esse, até em mim, transmite beleza.

Fora esta exceção, o resto é regra. Meu sorriso, sim, é feio.

E graças a Deus por isso.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ode ao filho

Quem dera fosses vivo.

Quem me dera que existisses e que eu pudera te embalar em meus braços.

Quem me dera que eu pudesse dizerte um conselho ou dois à luz da lua, enquanto ela, cheia, ilumina a janela do teu quarto e tu descansas tua cabeça no meu colo.

Eu aliso teus cabelos que te caem à testa, e te conto histórias - minhas e inventadas - nas quais lições de moral brotam como flores na primavera.

Quem me dera tu existisses, porque simbolizas um vínculo de confiança inatingível, onde nada e nem ninguém do mundo pode chegar.

Eu te contaria segredos, e tu, no auge dos teus poucos anos, me contarias aventuras e descobertas que a mim, mesmo bobas, seriam incomensuráveis.

Ouvir teu riso e consolar teu pranto me seriam júbilo e aflição ao mesmo tempo.

A cada palavra, a cada gesto, a cada dente novo, uma nova bolha de emoção que estoura em meu peito, como uma pequena bombinha de pólvora em meu coração.

'Sim', eu te diria. 'Não', eu te diria.

Ambas palavras significariam tanto, especialmente diante das minhas preocupações e anseios, e de tuas expectativas e frustrações.

Queria que tu existisses para que eu pudesse ser tua fortaleza; porque, ao que me parece, não consigo ser o mastro de mim mesma.

Não consigo achar tal ser que me segure, que me leve no colo e me faça promessas que hão de ser cumpridas.

Tudo é muito superficial: os rostos, os risos, as piadas, os choros, as esperanças, as falas.

Vazias.

Tu, não.

Tu serias de uma imensidão, mesmo que pequeno. Tu serias minha rocha mais forte, mesmo com poucos centímetros e com sabedoria ínfima.

Queria eu que tu existisses, para que, pelo menos por um curto espaço de tempo, fosses só meu e eu inteiramente tua.

Não teria medo de tatuar teu nome em minha carne, e muito menos de gritar para os quatro ventos que és minha vida para sempre.

(...)

Eu não te almejo. Porque tenho medo do que podem fazer contigo quando estiveres pronto a me dar as costas.

Mas te desejo do fundo do meu coração, para ver se consigo, por pouco tempo que seja, conhecer o que é se dar por completo e ter a esperança verdadeira de que o ser humano é mais que carne, osso e maldade.

Por fim, queria dizer que, onde quer que tu estejas - se és futuro meu ou não - que te amo mais do que tudo.

Que nenhum amor humano te alcança porque o que sinto por ti é divino. Fazes falta, mesmo não estando do meu lado.

Carne da minha carne. Sangue do meu sangue.

Meu instinto.